A Especialização Inteligente é uma abordagem às políticas de investigação e inovação segundo a qual os territórios são encorajados a concentrar investimentos em I&D e Inovação em áreas prioritárias que representem vantagens competitivas para esses territórios.
A implementação desta abordagem envolve colocar em prática um processo de Descoberta Empreendedora conduzido, essencialmente, bottom up: academia, empresas, administração pública, e sociedade civil devem cooperar na identificação e desenvolvimento de novas áreas promissoras para investimentos em I&D e outras atividades de inovação.
O objetivo principal desta abordagem é promover uma alteração estrutural das economias, favorecendo os domínios onde cada território seja mais forte e tenha mais potencial, e dessa forma robustecer o crescimento económico e criação de emprego.
A concentração dos investimentos em I&D e dos esforços em termos de atividades de inovação num número limitado de áreas será mais eficaz do que investimentos e esforços dispersos por várias áreas, podendo haver o risco de, em situação de dispersão, o impacto em cada área ser insignificante.
Esta abordagem foi introduzida pela Comissão Europeia como um elemento central da Política de Coesão nos dois últimos períodos de programação dos Fundos Europeus (2014–2020 e 2021–2027). No período 2021–2027, a existência de uma Estratégia de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente é mesmo uma condição habilitadora para o acesso a financiamento europeu no âmbito da política de coesão, no domínio da investigação e inovação. Essa condição deve ser cumprida ao longo de todo o período de vigência do Quadro Financeiro Plurianual em curso. Este elemento veio reforçar a importância destas estratégias no governação dos fundos estruturais.
Em Portugal, este enquadramento materializa-se na existência de sete Estratégias Regionais de Especialização Inteligente que são complementadas por uma Estratégia Nacional de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente (ENEI2030), que garante a articulação entre prioridades regionais e uma visão estratégica de âmbito nacional, promovendo coerência, sinergias e alinhamento com as prioridades Europeias de Investigação e Inovação.
